DESENVOLVIMENTO ECONÔMICO IACTI firma parceria com Embrapa para pesquisa do camarão de água doce

Foto:Divulgação

Tratado como subproduto, o camarão de água doce poderá mudar essa realidade e passar a ser comercializado em Roraima. A iniciativa surgiu após o produtor de peixe Alexandre Fernandes Carvalho ter notado a presença dessa espécie nos 82 tanques localizados em uma propriedade no município de Cantá.

A partir daí, um contrato de comodato de bens móveis firmado nesta terça-feira, 14, entre IACTI (Instituto de Amparo à Ciência, Tecnologia e Inovação) e Embrapa (Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária), vai permitir a continuidade da pesquisa “Aspectos produtivos do policultivo informal do camarão regional com o tambaqui”. O estudo já vinha sendo feito há um ano e agora ganhou reforço com a participação do IACTI. O contrato tem vigência de 12 meses.

A pesquisa consiste no estudo do cultivo da espécie de forma isolada ou consorciada, para introduzir no mercado local, já que 100% do camarão consumido em Roraima vêm de Estados Nordestinos e Belém, ao Norte.

Dessa forma, coube ao IACTI ceder em regime de comodato, um oxímetro digital, peagametro digital, cilindro de oxigênio medicinal e redes de arrastos. Após um ano de uso, esse material deverá ser devolvido, caso o contrato não seja renovado.

O diretor-presidente do IACTI, Aluizio Nascimento, disse que a assinatura desse termo consiste na troca de informações e tecnologia que vai chegar ao produtor, e, consequentemente fica bom para todo mundo. “Com isso, o produtor não erra [em função das pesquisas] e isso faz com que o Estado gire em todas as áreas. É muito importante esse tipo de parceria”, enfatizou.

Para ele, esse é também o caminho para a mudança da matriz econômica do Estado, com incentivo ao setor primário, por meio do fomento à pesquisa aplicada, adaptando, desenvolvendo e introduzindo novas tecnologias, com foco na competitividade.

“A pesquisa surgiu a partir da frequência de camarão em propriedades que cultivam peixe na região e propusemos um estudo em uma propriedade, no sentido de diversificar a pisicultura em Roraima”, disse o pesquisador da Embrapa, Sandro Pereira, ao informar que a primeira etapa da pesquisa já foi feita e os dados socializados com o IACTI.

Para o chefe geral da Embrapa, Otoniel Ribeiro Duarte, esse tipo de parceria com o governo reforça a finalidade da Embrapa que é pesquisa e desenvolvimento de tecnologia para o campo. “A tecnologia precisa chegar nas propriedades e a parceria com o governo permite isso, beneficiando a sociedade”, disse.

Produtor visualiza oportunidade de mercado

Há 10 anos, Alexandre Fernandes Carvalho investe na criação de peixes. Hoje a propriedade dele tem 82 tanques e na maioria há a presença de camarão de água doce, porém, na condição de subproduto (não é comercializado).

“Percebemos a presença do camarão de água doce e a nossa ideia é pesquisar o cultivo de forma isolada ou consorciada, para em seguida ver a possibilidade de comercialização”, detalhou, ao acrescentar que o quilo do camarão hoje em Roraima varia de R$ 60 a R$ 80, já que a espécie vem de outros Estados e encarece para o consumidor.

O camarão presente na propriedade do Alexandre é nativo e chega a medir 16cm. Por estar nos tanques de tambaqui e pirarucu, ele se alimenta dos restos da ração para peixe e os detritos gerados no ambiente.

Com a pesquisa, o camarão de água doce passa a ter atenção maior, com alimentação própria para a espécie. “A evolução da pesquisa que vai definir a possibilidade de comercialização do produto”, ressaltou, confiante, o produtor.

Atualmente, Alexandre produz 30 toneladas de tambaqui por mês. Todo o pescado é consumido em Roraima. “Vou investir no camarão para ter mais diversidade na produção e também por acreditar que o preço para o consumidor final será menor que o praticado hoje no mercado, já que a produção passa ser local”, enfatizou.

Por LEANDRO FREITAS

Fotos: Raimundo Lima