OLX: Delegado faz alerta sobre golpes aplicados por estelionatários

Criminosos usam chip de operadoras telefônicas de Roraima em nome de pessoas já mortas e conseguem negociar e aplicar golpes nas vítimas

O delegado Titular da DRRFVAT (Delegacia de Repressão a Roubos e Furtos de Veículos Automotores), Paulo André Migliorin, fez um alerta na manhã desta sexta-feira, dia 4, aos usuários do aplicativo de compra e venda OLX ou via redes sociais, que anunciam compra e venda de veículos.

Já passa de 50, o número de pessoas que caíram em um golpe aplicado por estelionatários de várias cidades brasileiras, utilizando chips de operadoras telefônicas e em nome de pessoas que até já faleceram.De acordo com Migliorion, a vítima e o verdadeiro comprador são de Roraima, mas que ambos caem no golpe “triangulado” pelo estelionatário que é de outro Estado.

“O vendedor, dono do veículo é de Roraima e faz o anúncio na OLX, por um valor de R$ 45 mil, por exemplo. O estelionatário faz contato com ele, utilizando um chip de qualquer operadora, muitas vezes comprado em nomes de pessoas cujo CPF ele conseguiu na internet, às vezes até de mortos. Nesse contato ele pede fotos do veículo, que são enviadas pelo vendedor. Depois o estelionatário diz que o carro é bom, que ficou interessado e pede que a pessoa tire o anúncio da OLX, pois vai comprar o veículo e à vista”, explica o delegado.

Ainda segundo Migliorin, o estelionatário realiza a partir daí a segunda etapa do golpe. Com as fotos do veículo, muitas vezes até melhor detalhada, ele faz o anúncio da venda desse mesmo veículo por um valor até R$ 10 mil mais barato, por R$ 35 mil, por exemplo.

“O estelionatário encontra um comprador em potencial de Roraima. Ele diz para esse comprador que o vendedor tem uma dívida com ele e que o carro está aqui na cidade. O estelionatário articula o encontro entre o comparador e o vendedor. Para o vendedor, ele orienta a não falar de valores, pois a pessoa que vai ao seu encontro, ver o veículo tem uma dívida com ele. Ocorre o encontro entre ambos e, o mais interessante, é que nem o vendedor e nem o comprador conversam entre sim, pois estão orientados por um criminoso que eles não conhecem e nunca viram”, ressalta o delegado.

Após esse encontro entre comprador e vendedor em Roraima, o estelionatário media o pagamento. Para o comprador ele orienta que somente faça o depósito do dinheiro quando receber o documento de compra e venda do veículo. Depois ele faz um depósito “fake” para o vendedor e o orienta a ir imediatamente fazer a transação em cartório ou no Departamento de Trânsito.

“Posteriormente, o dinheiro nunca aparece na conta do vendedor, que já transferiu o veículo, perdeu o bem e o dinheiro. O comprador depositou o dinheiro em uma conta que é sacado imediatamente. Conclusão, todos procuram a Polícia para resolver a situação. A Polícia resolve a questão criminal, mas não consegue devolver o dinheiro. Desta forma, neste caso, teremos duas vítimas”, explica o delegado.

Segundo ele, tanto o comprador quanto o vendedor estavam negociando na boa fé, mas ambos foram enganados por um estelionatário que não mora em Roraima.

“O criminoso usou um chip em nome de terceiros, até de morto, cujo CPF ele conseguiu na internet. A conta bancária em que foi depositado o dinheiro do comprador, muitas vezes é emprestada de alguém que o faz na boa fé. Esses estelionatários conseguem entrar na mente das pessoas dizendo que o veículo está mais barato por causa de problemas de saúde, divórcio, ou necessidade urgente. E, nesse triângulo temos um vendedor e um comprador que se encontram e que não dialogam. É preciso que as pessoas desconfiem, que conversem. Como que são orientadas por telefone, por uma pessoa que nunca viram, fazem negócio no escuro, estando frente a frente com a pessoa que está comprando ou vendendo o bem e não conversam?”, destaca o delegado.

Para dirimir a questão do dinheiro depositado para o estelionatário, o delegado explica que ocorre via judicial e como o processo é demorado, quando se consegue chegar até essas pessoas não existe mais dinheiro.

“São criminosos que aplicam esse golpe. Muitas vezes dentro de presídios. Depois, aqui pela delegacia instauramos inquérito, ouvimos as vítimas e depois vamos tentar localizar essas pessoas Brasil a fora. Precisamos enviar carta precatória e é muito complicado. Portanto, fazemos um alerta às pessoas para que desconfiem, para que se conversem quando estiverem à frente de algum negócio dessa natureza, para que não caiam em golpes de estelionatários”, orientou.