As Forças Armadas dos Estados Unidos iniciaram um bloqueio a portos do Irã no estratégico Estreito de Ormuz após o fracasso das negociações sobre o programa nuclear iraniano, realizadas no Paquistão. A medida havia sido anunciada previamente pelo presidente Donald Trump e entrou em vigor nesta segunda-feira (13).
De acordo com o comando central norte-americano para o Oriente Médio, apenas embarcações sem origem ou destino ao Irã poderão circular pela região. Em declaração à Fox News, Trump afirmou que o Reino Unido e “outros países” enviariam navios especializados na remoção de minas marítimas para a área.
O governo iraniano reagiu de forma dura, classificando o bloqueio como “ilegal” e um ato de “pirataria”, além de alertar que, caso a medida seja mantida, nenhum porto do Golfo estará seguro contra possíveis retaliações.
Apesar da declaração de Trump, o primeiro-ministro britânico Keir Starmer afirmou que seu país não participará do bloqueio naval e que os esforços de Londres estão voltados para restabelecer a navegação plena na região.
A decisão também gerou críticas internacionais. A ministra da Defesa da Espanha, Margarita Robles, classificou a ação como “sem sentido”. Já a China defendeu a retomada da navegação sem obstáculos no estreito e pediu que o impasse seja resolvido por vias diplomáticas. A França anunciou que pretende organizar uma conferência com o Reino Unido para reunir países interessados em uma missão pacífica que garanta a liberdade de navegação.
A escalada de tensões já impacta o mercado internacional. O preço do petróleo ultrapassou os 100 dólares por barril no início da semana, com alta superior a 7% no Brent e mais de 8% no West Texas Intermediate (WTI).
Segundo o centro de estudos The Soufan Center, a estratégia dos Estados Unidos busca reduzir a receita do Irã com exportações e pressionar seus principais compradores, especialmente a China.
O atual conflito teve início em 28 de fevereiro, após uma ofensiva conjunta dos Estados Unidos e de Israel contra o Irã, desencadeando uma série de retaliações que ampliaram a crise na região. Desde então, mais de 6 mil pessoas morreram, principalmente em território iraniano e no Líbano.
Um cessar-fogo de duas semanas, com término previsto para 22 de abril, segue incerto. O Paquistão, que atuou como mediador das negociações, pediu a manutenção da trégua, mas nem Estados Unidos nem Irã confirmaram compromisso com o acordo.
Apesar do impasse, Washington e Teerã não consideram as negociações encerradas. Trump afirma que o diálogo fracassou devido à recusa iraniana em abandonar o desenvolvimento de armas nucleares — acusação negada pelo governo iraniano.
A Rússia, por sua vez, reiterou que está disposta a receber em seu território o urânio altamente enriquecido do Irã como parte de um possível acordo de paz. Autoridades iranianas afirmam que as negociações chegaram perto de um consenso e atribuem o fracasso à postura considerada “maximalista” dos Estados Unidos, além de apontarem um ambiente de desconfiança que dificultou o avanço das tratativas.
Por Gazeta Brasil









