O presidente da Câmara Municipal de Boa Vista, vereador Genilson Costa (Republicanos), teve o mandato cassado pela Justiça Eleitoral após ser apontado como chefe de um robusto esquema de compra de votos financiado com recursos de origem ilícita. A decisão, assinada pelo juiz Ângelo Augusto Graça Mendes, revela um nível de organização que escancara a deterioração moral da política boa-vistense.
Apesar da gravidade dos fatos, Genilson segue no cargo e com discurso pronto. Em nota, disse receber “com tranquilidade” a sentença e afirmou acreditar na reversão em instâncias superiores, postura comum de políticos que se apoiam no próprio sistema que os protege enquanto a Justiça caminha a passos lentos.
Segundo a decisão, o vereador comandava uma estrutura “complexa e articulada”, abastecida com mais de R$ 4 milhões não declarados, valor quase oito vezes maior que o registrado oficialmente na campanha. A engrenagem envolvia listas de eleitores, planilhas de pagamentos, transporte irregular de votantes e até um grupo de WhatsApp chamado “Os Top 100”, espécie de central de comando do esquema.
A compra de votos era escancarada: eleitores flagrados pela Polícia Federal portavam dinheiro vivo — entre R$ 100 e R$ 150 — e santinhos do candidato. Um deles admitiu ter “comercializado o voto”.
A operação que desbaratou o esquema começou na véspera da eleição. A PF encontrou na casa do vereador dinheiro, armas, ouro em estado bruto e celulares, reforçando a suspeita de ligações com o tráfico de drogas. Não por acaso, Genilson já é investigado por supostamente negociar drogas de dentro do próprio gabinete, segundo o Ministério Público. Ele nega.
Fonte: O Painel










