“Música para a Inteligência” é o único do estado a seguir para a etapa nacional
Para muitos, a música representa uma forma de comunicação e expressão de sentimentos que auxilia no desenvolvimento de conhecimentos e habilidades em qualquer fase da vida. Foi pensando nisso, que a Escola Municipal Francisco de Souza Bríglia, no Pricumã, desenvolve desde 2016, o projeto “Música para a Inteligência”, em que através de um coral e da musicalização visa alfabetizar os alunos da Educação de Jovens e Adultos.
Este projeto foi o único de Roraima selecionado para concorrer nacionalmente ao Prêmio Medalha Paulo Freire, edição 2017, do Ministério da Educação. O prêmio é concedido desde 2005, e contempla iniciativas de inovação metodológica ou curricular da Educação de Jovens e Adultos (Eja). Os trabalhos inscritos devem contribuir com a redução do analfabetismo e para a melhoria da educação no país. Experiências de todo o país concorrem ao Prêmio.
Ao saber que o projeto está entre os selecionados do Prêmio, a professora Rejane Rísia, vibrou de alegria e junto com a gestão da escola começaram a ensaiar o coral para receber o representante do Mec, Miguel Arcanjo, durante a avaliação do projeto que deve ocorrer na próxima semana. O resultado final será anunciado dia 25 de agosto e a expectativa da professora são grandes.
“Como a gente trabalha com jovens e adultos sempre desenvolvemos projetos educativos que estimulam o aprendizado. A partir do projeto nasceu a vontade de montar um coral da Eja e a nossa maior alegria é ter sido selecionado a nível estadual no Prêmio, um sinal de que estamos no caminho certo”, disse.
Na edição deste ano, o Prêmio tem como eixo temas relacionados aos Direitos Humanos, Diversidade, Inclusão e Cidadania. Na Escola Municipal Francisco de Souza Bríglia há 98 alunos matriculados na modalidade Eja, seguimento de 1º ao 5º ano do Ensino Fundamental, destes 21 são estrangeiros. No local há 14 haitianos, uma venezuelana, dois indígenas yanomami e cinco guianenses.
Para a professora Shirlei Catão, o projeto busca a inclusão destes estrangeiros e ainda contribui para estreitar os laços entre estas pessoas que vieram de fora e aqui decidiram buscar uma nova vida. “Com este projeto ocorreu um elo de interação, porque existe aluno a partir de 15 a 91 anos de idade, de raças e culturas diferentes. E todos conseguem interagir na alfabetização. Eles aprendem com a gente e também aprendemos com eles, conhecendo a cultura e a língua deles”, ressaltou a professora.
A alfabetização por meio do projeto se dá através das letras de músicas. Os alunos, em especial do 1º e 2º Ano do Ensino Fundamental, fazem parte de um coral onde se desenvolve a capacidade de cantar, interpretar, escrever, descrever, relatar, explorar e narrar, bem como, compreender os gêneros textuais e as formas de expressão musical. Todas estas ações colaboram para o desenvolvimento das habilidades cognitivas, psicomotoras, emocionais, culturais e afetivas, contribuindo para a qualidade do ensino nesta modalidade.
Para a aluna Maria José Medeiros, 34 anos, o projeto é inspirador, e realmente está ajudando. “Muito interessante esse projeto. Foi uma maneira que acharam para a gente se interessar mais pelas aulas. Comecei a estudar o ano passado e está sendo maravilhosa essa experiência. Na vida não tive a oportunidade de estudar, meus pais eram muito pobres, e quando cheguei aqui em Boa Vista, me indicaram essa escola para iniciar os estudos e chegar aonde eu quero”, ressaltou.
Aos 57 anos, a senhora Aldileide Guerra, decidiu voltar a estudar. Segundo ela foi a melhor decisão da sua vida. “Não é fácil voltar a estudar nessa idade, mas estou buscando novos horizontes e conhecimentos. O projeto está nos ajudando muito, a melhorar a nossa leitura, a nos deixa mais calma e paciente e ainda melhora nossa autoestima”, disse.














