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Relator do PL da Dosimetria limita redução de penas ao 8 de Janeiro para evitar benefício a facções

A manobra, construída em conjunto com o senador Sergio Moro (União-PR), visa destravar a votação.

17 de dezembro de 2025
em Últimas Notícias
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Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania (CCJ) realiza reunião com 4 itens. Entre eles, o PL 2.162/2023, que altera a Lei de Execução Penal e o Código Penal para modificar critérios de dosimetria da pena e de progressão de regime. Em destaque, à bancada, senador Esperidião Amin (PP-SC). Foto: Saulo Cruz/Agência Senado

O senador Esperidião Amin (PP-SC), relator do Projeto de Lei (PL) da Dosimetria na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), apresentou nesta quarta-feira (17) seu parecer favorável à proposta, mas com uma alteração estratégica. Amin acatou uma emenda que restringe os efeitos da redução de penas exclusivamente aos envolvidos nos atos antidemocráticos de 8 de janeiro de 2023, o que inclui, em tese, o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) em eventuais condenações futuras. (Confira aqui a íntegra do texto)

A manobra, construída em conjunto com o senador Sergio Moro (União-PR), visa destravar a votação. O principal receio de parlamentares moderados e da base governista era de que o texto vindo da Câmara, por ser genérico, acabasse beneficiando líderes de facções criminosas e condenados por crimes violentos. Ao “carimbar” o projeto apenas para o 8 de Janeiro, a oposição tenta garantir a aprovação no plenário do Senado ainda hoje.

“Remédio menor e mais tímido”

Em seu relatório, Amin não escondeu que sua preferência pessoal seria a anistia total. No entanto, diante do travamento dessa pauta na Câmara, ele classificou o PL da Dosimetria como uma alternativa viável para o momento político atual.

“O Projeto de Lei nº 2.162, embora não configure a desejada anistia, busca corrigir distorções evidentes na aplicação cumulativa de penas, garantindo proporcionalidade e justiça individualizada”, afirmou o relator.

Para Amin, a dosimetria mais benéfica é um “remédio menor e mais tímido” do que o perdão integral, mas necessário para evitar o que ele chama de agravamento das divisões sociais. O senador argumentou que a manutenção de centenas de cidadãos em regime fechado por atos que, segundo ele, não configuraram insurgência armada, pode “comprometer a legitimidade das instituições”.

Estratégia para evitar a volta à Câmara

A decisão de acatar apenas a emenda de Sergio Moro e rejeitar as demais sugestões de alteração tem um objetivo técnico-legislativo: evitar que o projeto sofra mudanças de mérito que obriguem o retorno do texto à Câmara dos Deputados.

Se o relatório for aprovado na CCJ na manhã desta quarta-feira, a oposição articula para que a votação ocorra no plenário do Senado já às 14h. A intenção é aproveitar a última janela legislativa antes do recesso parlamentar.

Pacificação vs. Impunidade

O relatório de Amin reforça a tese de que o sistema judiciário aplicou penas desproporcionais ao somar crimes de forma cumulativa.

“O perdão apresentar-se-ia como solução juridicamente possível e politicamente adequada para encerrar um ciclo de tensão e reafirmar o compromisso do Estado brasileiro com a democracia e a pacificação social. Contudo, por motivos variados, pertinentes ao momento presente, cuja dinâmica ninguém pode controlar, a anistia total aos condenados pelos atos do dia 8 de janeiro de 2023 não foi aprovada pela Câmara dos Deputados”, observou Esperidião Amin.

Apesar da tentativa de celeridade, o projeto ainda enfrenta forte resistência do governo. O líder do governo, Randolfe Rodrigues (PT-AP), já sinalizou que poderá pedir vista (mais tempo para análise), o que, na prática, inviabilizaria a votação ainda em 2025.

Por Gazeta Brasil

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