Os ataques cibernéticos passaram a integrar a dinâmica da guerra dos Estados Unidos e Israel com o Irã e ocorrem, muitas vezes, antes das ofensivas militares. A avaliação faz parte de um relatório da Apura Cyber Intyelligence, empresa brasileira que monitora os desdobramentos do conflito no Oriente Médio.
Segundo o estudo, o ambiente digital tornou-se um dos principais campos de disputa estratégica do conflito, com campanhas de hacktivismo, espionagem digital, desinformação e tentativas de censura ocorrendo paralelamente às operações militares.
O levantamento identificou que, logo após as primeiras ofensivas contra o Irã, grupos hackers alinhados ao país itensificaram ataques contra sistemas digitais ligados a alvos israelenses e norte-americanos.
O relatório também aponta que a ofensiva digital não ocorre apenas por parte de grupos independentes.
Os ataques DDoS tornam um sistema, site ou servidor indisponível para usuários legítimos, sobrecarregando-o com tráfego falso.
De acordo com a Apura, além dos DDoS, as principais técnicas utilizadas nesses ataques são:
- Invasões com alteração de páginas na internet, conhecidas como defacement, ação que altera o conteúdo de uma página web para ganhar visibilidade e atingir maior número de visitantes;
- Ações de ransomware, técnica que bloqueia o acesso a computadores e dados e, em seguida, exige um resgate.
O especialista em cybersegurança da Apura, Anchises Moraes, afirma que os ataques têm se concentrado principalmente em setores considerados estratégicos, como infraestrutura crítica, telecomunicações, sistema financeiro e defesa.
“O risco digital nesse tipo de cenário se torna politicamente motivado e altamente imprevisível, especialmente quando envolve países com histórico consolidado em operações cibernéticas sofisticadas”, explicou Moraes.
Ainda segundo o levantamento, ataques cibernéticos chegaram a ser usados para mapear alvos militares e políticos dentro do Irã. A investigação cita o uso de dados obtidos por meio da invasão de celulares e de câmeras de monitoramento urbano na capital iraniana para identificar padrões de deslocamento de autoridades iranianas, incluindo o líder supremo Ali Khamenei, morto no primeiro dia de conflito.
Para os analistas da companhia, a itensificação dessas ações indica que o domínio digital passou a ser um dos principais instrumentos de retaliação do Irã diante da pressão militar.
Até o momento, não foram identificados ataques direcionados ao Brasil ou a outros países da América Latina.
Ainda assim, a empresa alerta que o risco para a região existe de forma indireta, sobretudo para setores como energia, telecomunicações, sistema financeiro, saúde, defesa e infraestrutura de transporte.
Fonte: Beatriz Oliveira, colaboração para a CNN Brasil, em São Paulo









