O Dia Nacional de Prevenção e Combate à Hipertensão Arterial, celebrado em 26 de abril, reforça a importância do diagnóstico precoce e do acompanhamento contínuo dessa condição que, muitas vezes, evolui sem sinais aparentes. De acordo com o Ministério da Saúde, 338 pessoas morrem diariamente no Brasil em decorrência da hipertensão, um número que evidencia a gravidade do problema e a necessidade de conscientização. Embora seja herdada dos pais em cerca de 90% dos casos, a doença também está diretamente relacionada ao estilo de vida, incluindo alimentação, sedentarismo e níveis de estresse.
Pouco se fala, no entanto, sobre os impactos que a pressão elevada pode causar na saúde ocular. O comprometimento dos vasos sanguíneos da retina é uma das principais consequências, podendo levar à perda visual progressiva. “A hipertensão provoca alterações na circulação sanguínea dos olhos, especialmente na retina, que é uma região extremamente sensível. Esse processo pode acontecer de forma silenciosa, sem que o paciente perceba qualquer mudança inicial na visão”, explica o Dr. Christian M. Campos, oftalmologista do IOBH – Instituto de Olhos de Belo Horizonte.
Entre as alterações mais comuns está a retinopatia hipertensiva, condição caracterizada pelo estreitamento dos vasos, hemorragias e até inchaço do nervo óptico. Em estágios mais avançados, o quadro pode resultar em danos irreversíveis. Além disso, a pressão arterial elevada também aumenta o risco de obstruções vasculares na retina, conhecidas como oclusões venosas ou arteriais. Esses eventos comprometem a circulação sanguínea ocular de forma aguda, podendo causar perda visual súbita e, em muitos casos, permanente. “Quando não há controle adequado, as estruturas oculares sofrem com a falta de oxigenação e nutrientes. Isso compromete a função visual e, em casos extremos, pode levar à cegueira”, alerta.
Outro ponto de atenção é que, diferentemente de outras doenças oftalmológicas, os sinais costumam surgir apenas quando o comprometimento já está mais avançado. Visão embaçada, manchas escuras ou dificuldade para enxergar detalhes podem indicar que o problema já está instalado. “O grande desafio é justamente esse caráter silencioso. Muitas pessoas só procuram ajuda quando percebem alterações significativas, o que reduz as chances de reversão do quadro”, destaca.
A recomendação é que pacientes diagnosticados com hipertensão mantenham acompanhamento regular não apenas com o cardiologista, mas também com o oftalmologista. Exames de rotina permitem identificar precocemente qualquer alteração na retina, possibilitando intervenções mais eficazes. “O cuidado com a saúde precisa ser integrado. Controlar os níveis de pressão arterial e realizar avaliações periódicas dos olhos são medidas fundamentais para preservar a qualidade de vida”, orienta.
Adotar hábitos saudáveis, como manter uma alimentação equilibrada, praticar atividades físicas e evitar o consumo excessivo de sal, também contribui diretamente para reduzir os riscos associados à condição. “A conscientização, especialmente em datas como esta, é essencial para incentivar a prevenção e evitar complicações que podem comprometer não apenas o coração, mas também a visão”, finaliza o Dr. Christian M. Campos.
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