A Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial (ABDI) e o Ministério da Integração e do Desenvolvimento Regional (MIDR) darão início, em junho, a uma agenda técnica no Acre. O objetivo é a estruturação da “Rota do Café” no Vale do Juruá, programa do Governo Federal desenhado sob medida para mapear as potencialidades locais, identificar gargalos logísticos e estruturais e atrair investimentos para a cadeia produtiva cafeeira da região.
A iniciativa é um desdobramento direto do Acordo de Cooperação Técnica (ACT) assinado entre a ABDI e o MIDR no final do ano passado. O acordo abrange frentes estratégicas de trabalho, incluindo o acompanhamento da Nova Indústria Brasil (NIB), o fomento à indústria de Agro 4.0 e o fortalecimento do programa Rotas de Desenvolvimento Regional.
“O Ministério validou o excelente trabalho que a ABDI vinha desenvolvendo com a industrialização do café no Acre e viu o sentido estratégico de apostar em uma rota exclusiva para o grão. Trata-se da primeira Rota do Café desenvolvida pelo Ministério, que já opera rotas de outras culturas pelo país”, explica o analista de Produtividade e Inovação da ABDI e líder do projeto Café Amazônia Sustentável, Eduardo Tosta.
“O Juruá vai entrar, literalmente, no mapa dos grandes programas de desenvolvimento regional do Governo Federal.”
A metodologia do programa envolve a aplicação de uma consultoria especializada para diagnosticar o território, apontar as reais necessidades de investimentos, que podem variar desde melhorias em infraestrutura logística até a aquisição de maquinários tecnológicos, e identificar potenciais parceiros investidores.
Segundo Tosta, a inclusão do Juruá no programa federal funciona como um selo de atratividade institucional. “Estar sob o guarda-chuva do programa Rotas do MIDR abre portas para que a região receba aportes de diversas fontes, como incentivos governamentais, investimentos de outras autarquias, parcerias com o setor privado e destinação de emendas parlamentares voltadas a atender as demandas exatas que a nossa consultoria vai mapear.”
Rede de governança
No arranjo institucional liderado pela ABDI e pelo Ministério, o projeto contará com uma rede de governança local e nacional. O plano de ação envolverá diretamente o Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (Senar), o Sebrae, a Superintendência do Desenvolvimento da Amazônia (Sudam), além de prefeitos, secretários municipais de agricultura e assessores técnicos de todos os municípios que compõem o Vale do Juruá. A diretoria e os produtores da Cooperativa de Produtores de Café do Juruá (Coopercafé) terão papel central no fornecimento de dados e no engajamento de campo.
A imersão dos especialistas e técnicos da ABDI e do MIDR no Vale do Juruá ocorrerá em duas etapas consecutivas. As visitas técnicas a propriedades de produtores, ao complexo industrial e a órgãos públicos acontecerá de 21 a 23/6. Já o workshop acontecerá dias 24 e 25/6, reunindo cerca de 80 participantes entre produtores e lideranças.
Com essa articulação, a ABDI reafirma seu papel de parceira estratégica na execução do planejamento, apoio logístico e conexão entre as políticas públicas federais e o setor produtivo. A intenção é transformar o café do Juruá em uma referência nacional de sustentabilidade e agregação de valor.
Complexo do Juruá
A ABDI inaugurou em Mâncio Lima (AC), em junho do ano passado, o Complexo Industrial de Café do Juruá, que ganhará uma unidade no município vizinho de Cruzeiro do Sul, cujas obras seguem em andamento. Também foram iniciadas as obras da indústria de café em Capixaba, localidade do Baixo Acre, no extremo sudeste do estado.
Essas iniciativas integram o Projeto Café Amazônia Sustentável, que desenvolveu um modelo cooperativista socioeconômico sustentável voltado ao beneficiamento de cafés oriundos da agricultura familiar no extremo ocidente da Amazônia.
De acordo com dados da Federação das Indústrias do Estado do Ceará (FIEC), responsável por acompanhar os impactos do projeto, de 2020 até dezembro de 2024, em Mâncio Lima, a renda mediana dos cooperados saltou 79% desde o início do projeto, enquanto o número de dependentes do Bolsa Família registrou uma redução de 7%.
Houve um aumento de 60% no número de empregos e um crescimento expressivo de 466% na concessão de crédito rural. A arrecadação do município cresceu 98%, com um aumento de 41% na arrecadação de ICMS.
Os indicadores de 2025, ainda parciais e apurados até agosto, reforçam a expectativa de que a nova unidade em Cruzeiro do Sul trará resultados semelhantes para os produtores locais.
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