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Mercado vê Ibovespa com dificuldades de retomar fôlego no 2º semestre

Analistas destacam incertezas sobre eleição e fiscal, além de dependência de uma distante queda de juros para favorecer renda variável

5 de julho de 2026
em Destaques
Mercado vê Ibovespa com dificuldades de retomar fôlego no 2º semestre

No mercado, há ceticismo de que a bolsa possa recuperar o fôlego no segundo semestre e voltar a decolar como na metade inicial do ano • Ilustração gerada por IA

Principal índice do mercado acionário brasileiro, o Ibovespa encerrou o primeiro semestre com alta de 6,77% no acumulado parcial de 2026.

O período foi de grande retorno na Bolsa de Valores do Brasil, que chegou a ultrapassar a marca dos 198 mil pontos em abril, fazendo os investidores sonharem com a marca dos 200 mil pontos.

De lá para cá, porém, o Ibovespa vem registrando uma sequência de meses negativos. Com os 172.024,12 pontos registrados ao final do pregão de terça-feira (30), o índice apurou perda de 1,01% no mês de junho.

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O impulso inicial registrado pelo mercado “veio com múltiplo do Ibovespa descontado, uma necessidade de diversificação por parte dos investidores globais e uma animação com mercados emergentes logo na virada do ano”, relembra Rafael Espinoso, estrategista e portfólio manager da GCB.

Em janeiro, a B3 registrou entrada líquida recorde de R$ 26,31 bilhões. Dali em diante, porém, o fluxo recuou, até que em maio foi registrada a maior saída de recursos da bolsa desde 2022.

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Perspectivas

E no mercado, há ceticismo de que a bolsa possa recuperar o fôlego no segundo semestre e voltar a decolar como na metade inicial do ano.

O ímpeto diminuiu e houve uma “redução de estrangeiros em todos os ativos”, segundo David Beker, chefe de Economia no Brasil e Estratégia para América Latina do BofA (Bank of America), que ressalta que o capital internacional era o principal motor da bolsa.

Para ele, o cenário externo macroeconômico incerto é o principal culpado pela mudança de rumo do investidor estrangeiro.

O economista observa que os fluxos de capital não têm favorecido o Brasil, mas que isso se dá mais por fatores internacionais – expectativa de alta de juros nos Estados Unidos, alocações em inteligência artificial e arrefecimento da tensão no Oriente Médio, que reduziu os preços do petróleo além do esperado – do que domésticos.

E, negativamente para a bolsa, cita que não há expectativas de grandes gatilhos para que o mercado brasileiro retome o rali visto anteriormente.

O principal fator que poderia retomar a atratividade da renda variável brasileira é, segundo Virgilio Lage, especialista da Valor Investimentos, a política monetária.

Se os juros caem, o apetite a risco cresce frente aos retornos menores que a renda fixa proporcionaria. Contudo, um cenário com Selic mais baixa no Brasil ainda parece distante.

O mercado acredita que a taxa básica de juros deve se manter acima de 11% até a metade de 2028, hoje a data mais distante para a qual o BC (Banco Central) apura as expectativas do boletim Focus.

E para além das expectativas sobre juros, “permanece o risco com a situação fiscal, as eleições, a desaceleração da economia chinesa e o comportamento das commodities“, ressalta Lage.

A incerteza também vale para o câmbio. O dólar abriu em R$ 5,48 o ano, e chegou a operar abaixo de R$ 5 entre abril e maio. Desde então, voltou a subir.

Questionado sobre as perspectivas, Emerson Jr, head de Offshore da Convexa Investimentos, destaca que “estamos neríodo ruim do ponto de vista fiscal, foco está voltando para isso e há incerteza sobre eleição”.

Para Rafael Espinoso, há, porém, fundamentos que podem favorecer o país nos últimos seis meses do ano.

“Voltamos a operar num múltiplo P/L descontado, com um câmbio ainda bom para o estrangeiro e um eleitoral apertado, com momento pró-mercado na América Latina.”

João Nakamura, da CNN Brasil, em São Paulo

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