As empresas estatais monitoradas pelo Banco Central acumularam déficit primário de R$ 7,4 bilhões entre janeiro e maio de 2026, segundo as Estatísticas Fiscais divulgadas pela autoridade monetária. Apesar de um superavit de R$ 300 milhões registrado apenas em maio, o rombo acumulado em 12 meses chegou a R$ 9,7 bilhões.
Os números revelam uma deterioração das contas das empresas públicas. Apenas no primeiro trimestre, as estatais federais encerraram o período com déficit de R$ 4,4 bilhões, o maior valor nominal da série histórica iniciada em 2002. O resultado representa um aumento de 151,2% em relação ao mesmo intervalo de 2025, quando o saldo negativo foi de R$ 1,8 bilhão.
O cenário também piorou nas empresas estaduais. Entre janeiro e março, o déficit chegou a R$ 1,5 bilhão, igualmente o maior já registrado para um primeiro trimestre. A última vez que as estatais federais iniciaram o ano no azul foi em 2022, quando registraram superavit de R$ 6,6 bilhões.
Mesmo com o desempenho positivo das estatais em maio, as contas do setor público consolidado permaneceram pressionadas. O Banco Central informou que o conjunto formado por Governo Central, estados e municípios apresentou déficit primário de R$ 56,1 bilhões no mês. No acumulado de 12 meses, o resultado negativo alcançou R$ 149 bilhões, equivalente a 1,14% do Produto Interno Bruto (PIB).
Outro fator que continua pressionando as contas públicas é o aumento das despesas com juros. Em maio de 2026, os juros nominais somaram R$ 107,5 bilhões, acima dos R$ 92,1 bilhões registrados no mesmo mês do ano passado. No acumulado de 12 meses, a despesa atingiu R$ 1,11 trilhão, correspondente a 8,48% do PIB.
Como consequência desse cenário, a Dívida Líquida do Setor Público (DLSP) subiu para 67,9% do PIB em maio.
O Banco Central ressalta que o levantamento não inclui empresas estatais financeiras, como Banco do Brasil, Caixa Econômica Federal e BNDES, nem a Petrobras. O indicador considera apenas as empresas não financeiras monitoradas pela autoridade monetária para medir o impacto de seus resultados sobre a política fiscal.
Por Hora Brasília








