Descoberta na moda, estilista têxtil desenvolve fibra de tecido orgânica

O mercado da moda muda constantemente, está sempre se adaptando as novas tendências, é um dos maiores motores econômicos do mundo. Porém, nem tudo é o que parece ser, o setor é o segundo maior poluente, ficando atrás apenas do petroquímico. A indústria têxtil causa grandes impactos ambientais, é a responsável por 20% de toda a produção de esgoto mundial e quase 10% de todo o carbono emitido.

 

Pensando na redução desses efeitos que a estilista têxtil e agente internacional de tecido, Thamires Pontes, uma paraibana que reside há sete anos em São Paulo, desenvolveu uma fibra têxtil orgânica e biodegradável feita a partir de um polímero, o ágar-ágar, extraído de algas vermelhas do tipo Rhodophyta, abundantes no Nordeste brasileiro.

 

As fibras de ágar são de fácil fabricação, não usam grandes quantidades de recursos naturais, são compostáveis, não-tóxicas, possuem baixo custo e características especiais como a biocompatibilidade. A fibra possui aspecto de fio de nylon, com bons resultados em resistência e tingimento, e as características do tecido pronto, se assemelha a seda e viscose.

 

Atuo na indústria têxtil há quase 10 anos e por vivenciar o outro lado da moda, despertou a vontade de ter meu próprio tecido. Para minha surpresa, conheci o ágar pela gastronomia molecular, e durante a minha pesquisa descobri que vai muito além dos alimentos e cosméticos. Quero colocar no mercado da moda um produto 100% brasileiro, mostrar para o consumidor uma forma de consumir consciente, propagar o conceito slow fashion e aplicar a verdadeira circularidade na cadeia têxtil completa. No momento, para viabilizar testes de produção em escala industrial, estou em busca de incentivo e financiamento”, diz Thamires.

 

As fibras de ágar-ágar foi uma das 12 ideias brasileiras finalistas entre 1409 projetos enviados por empreendedores criativos de 100 países, sendo 173 do Brasil, do No Waste Challenge, um desafio para Ação Climática do What Design Can Do em parceria com a Fundação IKEA. O objetivo da competição global realizada em janeiro de 2021 foi apresentar soluções inovadoras para reduzir o desperdício e repensar em todo o ciclo de produção e consumo.

Meg Sousa/Assessora de imprensa