O Ibovespa fechou em alta superior a 1% nesta segunda-feira (16), próximo aos 180 mil pontos, em dia de recuperação endossada pelo cenário externo, com alívio nos preços do petróleo e viés positivo em Wall Street. Os agentes financeiros seguem monitorando a situação no Oriente Médio e seus reflexos para a economia mundial.
Investidores também ajustam posições antes das decisões sobre juros de vários bancos centrais nesta semana, incluindo as do Federal Reserve e a do Banco Central do Brasil, ambas na quarta-feira (18). Mais cedo, a pesquisa Focus confirmou movimento que já vinha sendo observado na curva futura de juros – analistas passaram a ver um corte de 0,25 ponto percentual na taxa básica de juros, depois de 23 semanas apostando em redução de 0,5 ponto.
O Ibovespa fechou em alta de 1,25%, aos 179.875,44 pontos – a alta ocorre após três quedas seguidas, período em que o índice acumulou um declínio de mais de 3%.
O principal índice da bolsa marcou 181.254,85 pontos na máxima do dia. Na mínima, registrou 177.656,24 pontos. O volume financeiro somou R$ 22,7 bilhões.
Já o dólar à vista encerrou o dia em queda de 1,62%, cotado a R$ 5,2303 na venda.
Na visão do analista Nícolas Merola, da EQI Research, a performance dos ativos financeiros nesta segunda-feira parece ser mais uma adequação, uma adaptação dos mercados ao conflito, do que uma mudança de cenário.
Ele pontuou que o petróleo, de fato, não voltou a rondar os US$ 120 o barril, mas segue na casa dos US$ 100, então ainda é um “nível de estresse”, enquanto a situação envolvendo a guerra dos EUA e Israel contra o Irã continua “nebulosa”.
Os preços do petróleo deram um alívio e fecharam em queda nesta segunda-feira, corroborando uma melhora nos mercados, embora sem sinais de término do conflito que começou com ataques dos EUA e de Israel contra o Irã e agora já atinge vários países do Oriente Médio.
O Estreito de Ormuz, relevante rota de transporte de petróleo no Golfo Pérsico, continua sob os holofotes, e nesta segunda-feira o secretário do Tesouro dos EUA afirmou que o país não vê problema na passagem de alguns navios iranianos, indianos e chineses pela via por enquanto.
Em paralelo, aliados dos EUA disseram que não têm planos imediatos para enviar navios a fim de desbloquear o Estreito de Ormuz, rejeitando um pedido do presidente Donald Trump por apoio militar para manter a passagem aberta.
De acordo com a equipe da Genial Investimentos, há um alívio geopolítico após navios cruzarem o Estreito de Ormuz, renovando esperanças para a rota do petróleo.
Na renda fixa brasileira, a sessão é até o momento de queda firme das taxas dos DIs (Depósitos Interfinanceiros), em sintonia com a melhora mais geral dos ativos brasileiros e com o avanço abaixo do esperado da atividade econômica em janeiro.
Após a forte alta das taxas futuras na sexta-feira, em função do estresse gerado pela guerra, o Tesouro decidiu intervir no mercado nesta segunda, cancelando os leilões de títulos indexados à inflação e prefixados desta semana. Além disso, o Tesouro recomprou títulos prefixados e indexados ao IPCA que estavam no mercado, o que contribui para o alívio na curva a termo.
Câmbio
O dólar fechou a segunda-feira em queda firme no Brasil, em sintonia com o recuo da moeda norte-americana ante quase todas as demais divisas no exterior, com a guerra no Oriente Médio e decisões de bancos centrais sobre juros no foco dos investidores.
O dólar à vista fechou a sessão com baixa de 1,62% no Brasil, aos R$ 5,2303, em sintonia com o recuo da moeda norte-americana ante outras divisas de países emergentes, como o peso chileno, o rand sul-africano e o peso mexicano.
No ano, a divisa dos EUA passou a registrar queda de 4,71% ante o real.
Na sexta-feira, o dólar à vista havia encerrado o dia com alta de 1,34%, aos R$ 5,3166, em meio a uma piora generalizada da percepção global em relação à guerra no Oriente Médio.
Nesta segunda-feira, a moeda norte-americana cedeu ante quase todas as demais divisas globais, incluindo o real, em uma sessão de ajustes de preços e de certa busca por ativos de risco, ainda que a guerra siga em andamento. O preço do petróleo, que tem servido como uma espécie de termômetro para o estresse global, recuou durante o dia.
“A expectativa de avanços diplomáticos e esforços coordenados para garantir a retomada do tráfego de navios petroleiros no Estreito de Ormuz reduziu parte do prêmio de risco geopolítico, levando a um recuo nos preços do petróleo”, disse à tarde Bruno Shahini, especialista em investimentos da Nomad, em comentário escrito.
“O movimento resultou em uma melhora do apetite por risco na sessão de hoje, com bolsas mundiais em alta, queda do índice DXY e dos rendimentos dos Treasuries – favorecendo moedas emergentes no geral”, acrescentou.
No campo econômico, os agentes aguardam para esta semana as decisões sobre juros dos bancos centrais de EUA, Reino Unido, Japão, além do Brasil. No caso do Federal Reserve, a expectativa é de que a taxa seja mantida na faixa entre 3,50% e 3,75%.
Com o forte recuo desta segunda-feira, em meio a duas intervenções do Tesouro Nacional no mercado, a curva de juros brasileira passou a precificar chances ainda maiores de corte de 25 pontos-base, sendo que uma redução de 50 pontos-base foi descartada pelos agentes. Atualmente a Selic está em 15% ao ano.
O diferencial de juros entre Brasil e Estados Unidos vinha sendo apontado como um dos fatores para atração de investimentos ao país, o que conduziu as cotações do dólar a patamares mais baixos ante o real nos últimos meses. A guerra, porém, tem impulsionado a moeda norte-americana.
Por Diana Ribeiro, da CNN Brasil/*Com informações da Reuters









