A China está pedindo às empresas estatais que suspendam as negociações sobre novos projetos no Panamá, como parte de uma retaliação mais ampla de Pequim após o país ter anulado o contrato com a CK Hutchison Holdings para operar dois portos ao longo de seu canal estratégico, de acordo com pessoas familiarizadas com o assunto.
A medida pode inviabilizar potenciais investimentos na casa dos bilhões de dólares, disseram as pessoas, que pediram anonimato por discutirem assuntos confidenciais. Pequim também solicitou às empresas de transporte marítimo que considerem redirecionar cargas para outros portos, caso isso não resulte em custos adicionais significativos, acrescentaram.
As autoridades alfandegárias da China também intensificam as inspeções sobre importações panamenhas, como bananas e café, segundo as pessoas. Projetos já em andamento também podem ser afetados, acrescentaram, embora ainda não haja instruções finais.
A Comissão de Supervisão e Administração de Ativos Estatais, que supervisiona as estatais chinesas, e a Administração Geral de Alfândegas da China não responderam ao pedido de comentário enviado por fax pela Bloomberg News. A CK Hutchison também não respondeu imediatamente ao pedido de comentário da Bloomberg.
A medida ocorre após o mais alto tribunal do Panamá ter entregado uma vitória, na semana passada, à campanha do presidente americano Donald Trump de conter a influência chinesa sobre infraestrutura estratégica nas Américas. A decisão provocou imediata condenação de Pequim. A China — segunda maior usuária do Canal do Panamá, depois dos Estados Unidos — advertiu, no início desta semana, que o Panamá pagaria um “preço alto” por ceder ao que denominou hegemonia americana.
A retaliação da China segue movimento semelhante adotado no ano passado, depois que a CK Hutchison anunciou, em março, a venda de seus ativos portuários globais — incluindo suas operações em Balboa e Cristóbal, no Panamá — para um consórcio liderado pelo Terminal Investment, do bilionário italiano Gianluigi Aponte, e pela gestora dos EUA BlackRock. Na ocasião, Pequim criticou a venda como uma submissão à pressão americana e orientou as empresas estatais a suspender qualquer nova colaboração com negócios ligados ao bilionário Li Ka-shing, fundador da CK Hutchison em Hong Kong, e sua família, informou a Bloomberg.
A CK Hutchison, que opera dois terminais no Panamá desde 1997, busca indenização por meio de arbitragem internacional contra a decisão judicial.
As duas instalações no Panamá têm sido o principal obstáculo à venda dos portos do conglomerado de Hong Kong. A CK Hutchison e outras partes envolvidas no negócio consideram maneiras de avançar com as discussões, incluindo a divisão dos ativos em parcelas separadas com diferentes estruturas de propriedade, disseram anteriormente pessoas familiarizadas com o assunto. O arranjo poderia dar à chinesa Cosco participações maiores em portos em regiões mais alinhadas à China, como a África, disseram as fontes.
Caso seja concluída, a transação inteira poderia render à CK Hutchison mais de US$ 19 bilhões em caixa, embora analistas esperem uma avaliação e receitas menores após a decisão judicial do Panamá.
Por Bloomberg NewsCom a colaboração de Lulu Shen.












