A inadimplência das empresas brasileiras atingiu um novo recorde histórico e acendeu um sinal de alerta sobre a situação da economia. Dados da Serasa Experian mostram que cerca de 9 milhões de empresas encerraram abril com dívidas negativadas, o maior número já registrado pela série histórica.
Juntas, essas empresas acumulam R$ 220,9 bilhões em débitos, valor que também reflete o agravamento das dificuldades financeiras enfrentadas pelo setor produtivo. O número representa crescimento em relação ao mês anterior e consolida uma tendência de alta observada desde o início do ano.
O avanço da inadimplência ocorre em um momento em que o governo federal tenta estimular a renegociação de débitos por meio do programa Desenrola Brasil para empresas. Apesar da iniciativa já ter movimentado bilhões em acordos, os dados indicam que o endividamento corporativo continua crescendo em ritmo acelerado.
Além do recorde de empresas negativadas, o levantamento aponta um volume inédito de dívidas registradas: 63,7 milhões de contas em atraso. Em média, cada empresa inadimplente possui 7,1 débitos negativados e uma dívida de aproximadamente R$ 24,6 mil.
Os números reforçam a pressão enfrentada principalmente por pequenos e médios negócios, que lidam com custos elevados, crédito mais caro e desaceleração da atividade econômica em diversos setores.
O crescimento da inadimplência vem sendo observado desde o final do ano passado. Em novembro e dezembro, o total de empresas negativadas já havia alcançado 8,9 milhões. Após uma breve queda para 8,7 milhões em janeiro, os indicadores voltaram a subir mês após mês até atingir a marca histórica de 9 milhões em abril.
O setor de serviços concentra a maior parte das empresas inadimplentes, respondendo por 55,6% dos registros. Em seguida aparecem comércio (32,4%), indústria (8,1%) e atividades do setor primário (0,9%).
Economistas avaliam que o recorde revela dificuldades estruturais enfrentadas pelo ambiente de negócios no país. O aumento do número de empresas endividadas ocorre justamente em um período em que o governo tenta impulsionar investimentos e estimular o crescimento econômico.
Com mais de R$ 220 bilhões em dívidas acumuladas e milhões de empresas enfrentando restrições de crédito, o cenário amplia os desafios para a recuperação da atividade econômica e levanta dúvidas sobre a capacidade de pequenos empreendedores manterem suas operações diante da crescente pressão financeira.
Por Hora Brasília








