Encontro mostra os resultados obtidos e experiências em desenvolvimento infantil durante quase três anos de implantação do Família Que Acolhe (FQA), em Boa Vista.
Um dia para retratar as memórias, mostrar os resultados obtidos e trocar experiências sobre desenvolvimento infantil nesses quase três anos de implantação do programa Família Que Acolhe (FQA), idealizado pela Prefeitura de Boa Vista.
Foi assim que nesta quinta-feira, 9, profissionais das áreas de saúde, educação, social, protagonistas da primeira infância – fase que vai da gestação aos seis anos de idade – se reuniram para falar sobre um programa que está fazendo a diferença na qualidade de vida das futuras gerações do município e coloca Boa Vista na condição de Capital da Primeira Infância.
Com o tema Tecendo Redes da Primeira Infância, o encontro contou com a participação de especialistas, juízes, promotores, conselheiros tutelares, estudantes, empresários, lideranças no compartilhamento de saberes, práticas e histórias que fortalecem o cuidado com as gestantes, mães e crianças.
A prefeita Teresa Surita discursou sobre o FQA, como o programa foi idealizado, como funciona e a política pública integrada voltada para o desenvolvimento infantil em Boa Vista. Além da troca de experiência, ela fez um apelo para que a população participe da transformação social que o programa oferece.
“Falar da primeira infância é novidade, então o que a gente está fazendo aqui em Boa Vista também é uma inovação. Hoje estamos sendo apontados como referência no Brasil e até internacionalmente por esse resultado que alcançamos com o FQA, por tantas pessoas capacitadas, o olhar para a primeira infância da forma correta, muito atualizado, com a participação de pessoas de todas as áreas. E com isso buscamos deixar marcado em Boa Vista a importância dessa fase da vida e que todos nós somos responsáveis por essa transformação social, não é só prefeitura ou qualquer outra instituição, é de todos”, disse a prefeita Teresa Surita.
Boa vista conta com sete Redes da Primeira Infância articuladas pelos Centros de Saúde dos bairros atendidos pelos Cras, que contam com escolas, creches e unidades básicas de saúde. A proposta é ampliar as redes com a participação de toda a sociedade.
EXPOSIÇÃO – No encontro houve ainda uma exposição com 18 trabalhos, com foco no desenvolvimento infantil, de autoria de profissionais ligados a rede da primeira infância. Cinco deles receberam menção honrosa: Olho de Deus; Whatsapp como ferramenta de apoio em grupos, da Unidade Básica de Saúde Liberdade; Fisioterapia na gestação utilizando método pilates em grupos de gestantes na atenção básica; Trilha do parto humanizado: Um novo olhar sobre a infância no espaço escolar; A importância do vínculo afetivo no desenvolvimento da primeira infância, principalmente nos três primeiros anos.
PUBLICAÇÕES – Duas publicações foram lançadas durante o evento, a primeira: “Memória e Resultados do Projeto de Formação em Desenvolvimento da Primeira Infância”, trata de um livro que conta os acontecimentos da formação dos profissionais da Prefeitura de Boa Vista para o desenvolvimento da primeira infância em 2014 e 2015. Foram formados 4.609 profissionais de saúde, educação e assistência social, 263 ações de DPI surgiram. O livro apresenta as memórias e os resultados.
A segunda publicação: “Cadernos da Equipe e da Família: Toda Hora é Hora de Cuidar”, que traz orientações e dicas para as famílias e equipes de saúde sobre os cuidados e acompanhamentos das crianças durante seu desenvolvimento. Cerca de 50 mil famílias de Boa Vista vão receber a publicação que é parte do projeto Nossas Crianças: Janelas de Oportunidades, do programada Família Que Acolhe.
O QUE DIZEM OS ESPECIALISTAS SOBRE O FQA
Ivone Salucci – coordenadora do Comitê Nacional de Enfrentamento à Violência Sexual de Crianças e Adolescentes:
“Eu tive a oportunidade de participar de palestra no Família Que Acolhe com gestantes e fiquei muito feliz com o que vi, porque é um espaço muito acolhedor, que ampara, orienta, e isso durante a gestação é extremamente positivo e importante. Nós que trabalhamos com a primeira infância, sabemos o que significa para uma mãe ter um bom acompanhamento. Eu gostaria que todas mães do Brasil tivessem a oportunidade de no seu período de gestação serem acompanhadas por um projeto desse porte como é o Família que Acolhe”, destacou.
Beatriz Ferraz – gerente de educação infantil da Fundação Maria Cecília Souto Vidigal:
“As pesquisas mostram que a cada um dólar que se investe na primeira infância a gente economiza sete na juventude. A experiência que estão começando aqui e já colhendo resultados, todo Brasil merecia conhecer e tentar implementar. É uma satisfação encontrar gestores como a prefeita Teresa e uma gestão como a que ela implementa aqui em Boa Vista, que prioriza a primeira infância”, disse.
Ela disse ainda que caminha muito pelo Brasil representando a fundação Maria Cecília Souto Vidigal. “Encontro muitas experiências e posso afirmar que a Teresa é uma das poucas gestoras que comprou essa causa e isso deve ser motivo de grande orgulho para todos nós. Somente um gestor que está comprometido efetivamente com as crianças e com a sociedade faz uma escolha dessas, porque investir na primeira infância é colher resultados a longo prazo, como por exemplo uma sociedade que alcança melhores perfis profissionais, que tem três vezes menos problemas com saúde, violência, com envolvimento em criminalidade e em drogas. E essa transformação já começou em Boa Vista”, pontuou.
Marcos Davi – diretor executivo do Instituto primeiros anos, médico, psicoterapeuta:
“O Família que Acolhe não se restringe a um projeto de formação de profissionais, ele também tem outras ações. O programa capacita porque o conhecimento precisa chegar na ponta, nas famílias. A minha impressão sobre o Família que Acolhe é de um programa que as pessoas trabalham em Boa Vista, com afinco com essa questão do cuidar das pessoas. ”, frisou
POR QUE FALAR DA PRIMEIRA INFÂNCIA?
Estudos mostram que os bebês se desenvolvem não apenas a partir de seu DNA, mas da combinação entre sua carga genética e a relação com aqueles que o rodeiam. E que é nessa fase que a criança alcança seu pleno potencial de desenvolvimento: a capacidade de aprendizado, os vínculos afetivos e formação da personalidade.
De acordo com especialistas, tudo que acontece nesse período tem total influência da realidade em que a criança está inserida. Por isso a formação de redes com a participação de toda sociedade é fundamental para potencializar o desenvolvimento das crianças nessa etapa da vida.
A união de esforços em prol da primeira apresenta resultados importantes em Boa Vista. As crianças atendidas pelo programa Família Que Acolhe tiveram ganho significativo no vocabulário e no desenvolvimento cognitivo, com freqüência escolar cotada em mais de 90%.
FQA – O Família Que Acolhe foi desenvolvido na atual gestão da prefeita Teresa Surita, em 2013. É mantido exclusivamente pelo município e funciona a partir da realização de um cadastro único. O programa acolhe crianças desde a gestação até os seis anos de idade, com atenção integrada nas áreas da saúde, educação e desenvolvimento social, que busca disponibilizar serviços e proporcionar o melhor ambiente para o desenvolvimento infantil.
Desde sua criação atendeu quase seis mil mulheres e acompanhou cerca de cinco mil crianças. As gestantes tem acesso facilitado ao pré-natal, recebem orientações sobre cuidados com a gravidez e com os filhos na Universidade do bebê, participam de atividades de incentivo à leitura desde a gravidez, por meio do Leitura Desde o Berço.
As crianças têm vaga garantida nas creches e escolas do município. A Universidade de New York realizou uma pesquisa que aponta que os pais que participam do FQA estão lendo mais e melhor para os filhos.
O FQA foi reconhecido nacionalmente como exemplo de política integrada para a primeira infância pelo Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) e Boa Vista como modelo de política pública integrada voltada para a primeira infância.
FONTE:PREFEITURA-BV