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Ex-PM diz que matou pai e filha em RR para que eles parassem de incentivar ex a denunciar agressões

20 de outubro de 2017
em Polícia
Ex-PM diz que matou pai e filha em RR para que eles parassem de incentivar ex a denunciar agressões

O ex-policial militar Felipe Quadros disse em depoimento à justiça que matou Jannyele Vicencia Filgueira Bezerra e o pai dela Eliézio Oliveira Bezerra porque eles incentivaram a namorada a denunciá-lo por agressão.

As declarações foram exibidas em um vídeo durante o júri popular de Quadros na tarde desta quinta-feira (19) no fórum Criminal Ministro Evandro Lins e Silva, no Caranã, zona Oeste de Boa Vista.

O réu não compareceu ao julgamento. O depoimento dele foi gravado em março de 2016 durante as audiências que antecederam o júri.

O ex-soldado da PM responde pelos crimes de homicídio qualificado por motivo torpe, meio cruel e que dificultou a defesa das vítimas Jannyele, Eliézio Bezerra e de Ernani de Oliveira. Ele também é acusado de uma tentativa de homicídio. A pena máxima prevista para os crimes é de 110 anos.

No vídeo o ex-PM foi frio e não demonstrou emoções. Ele contou em detalhes como tudo ocorreu. Quadros disse que queria “dar um basta” pois Eliézio e Jannyele “botaram corda para Carol [ex-namorada] denunciar [supostas agressões do réu]”. O réu afirmou que nunca agrediu fisicamente a ex.

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Felipe Quadros negou que tivesse premeditado os crimes alegando que decidiu naquela noite “acabar com a história”. Pai e filha foram mortos na manhã do dia 9 de novembro de 2015 no bairro Pricumã, zona Oeste da capital. Além deles, o acusado também matou empresário Ernani Rodrigues de Oliveira e atirou contra Levindo Alves Ferreira, vizinho dele.

Ele afirmou ainda bebeu nos três dias que antecederam os crimes. No dia dos assassinatos, Quadros disse que chegou na frente da casa de Eliézio e Jannyele por volta das 4h30, colocou o colete e ficou no local até a hora que a amiga da ex saiu. Depois de matar o pai e a filha ele saiu do local “transtornado e revoltado” e lembrou do empresário Ernani Rodrigues de Oliveira e da dívida que tinha com ele. O Ex-PM disse que matou o empresário por ter medo dele, pois teria sofrido ameaças.

Durante o testemunho, Quadros falou que não atirou na empregada do empresário. Entretanto, durante o júri, a mulher, que também é testemunha, falou que ele teria tentado atirar contra ela.

O acusado afirmou que baleou Levindo Alves Ferreira, vizinho de Ernani, por ele ter tentado tomar a arma do ex-PM.

Depois dos assassinatos, segundo Quadros, ele foi para casa de um amigo e chegou a pensar em se matar. O acusado se entregou à polícia 12 horas depois.

A arma usada nos crimes era uma pistola .40 da Polícia Militar, que ele não devolveu ao sair do serviço. Quadros contou que estava com 22 munições compradas por ele mesmo. No vídeo ele declarou ter consciência do que fez e se disse arrependido ao ser questionado pelo promotor.

Durante os três homicídios, a namorada de Quadros à época, Surinami Bastos Mendes, estava no veículo que o réu dirigia. Ela chegou a ser presa, mas foi liberada. Quadros disse que ela não teve envolvimento nos crimes.

Depoimento de Surinami

Surinami também estava na lista das testemunhas, porém a Justiça não conseguiu intimá-la e ela não compareceu ao júri. Um vídeo com declarações dela também foi exibido no fórum.

Ela contou que conheceu o acusado pelo Facebook duas semanas antes do crime. A jovem assegurou não saber que ele pretendia cometer os assassinatos. “Fiquei em estado de choque”, afirmou sobre quando viu Quadros atirando.

A namorada de Quadros à época disse que não chamou a polícia em nenhum momento pois ficou “sem saber o que fazer”. Após os crimes, o carro em que eles estavam falhou, mas eles conseguiram chegar a casa dela.

Depois de tomar um banho, segundo ela, os dois foram para a casa do amigo de Quadros. Lá eles passaram um tempo e sem seguida foram até um escritório de advocacia e se entregaram a noite no Comando de Policiamento da Capital (CPC).

Após a exibição dos vídeos, começou a fase de sustentação oral onde MP e DPE poderão se manifestar por 1h30. Em seguida eles podem optar pela réplica e tréplica.

O julgamento começou às 9h desta quinta no Fórum Criminal Ministro Evandro Lins e Silva, no Caranã, zona Oeste de Boa Vista.

Pela manhã, foram ouvidas a mãe de Jannyele e mulher de Eliézio, Nilra Jane Bezerra e a outra filha dela, Ellijane Bezerra.

Lana Leitão é a juíza que preside o júri. A defesa de Quadros é feita pelos defensores públicos Frederico Encarnação e José Rocelito. O promotor do caso é André Nova.

Motivação dos crimes

Segundo Polícia Civil informou na época, o alvo do crime era uma ex-namorada de Quadros pela qual ele era ‘obcecado’. Um áudio divulgado na época mostra um momento em que o então policial ameaçava a mulher.

Ainda na época dos crimes, Quadros afirmou à polícia que pai e filha davam apoio à ex-namorada dele. O motivo do assassinato do empresário não foi esclarecido pelo acusado.

Durante o júri, o promotor do caso disse que o filho do empresário havia emprestado um dinheiro do ex-policial. No entanto, João Brito negou a alegação.

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