O ministro da Defesa do Paquistão, Khawaja Asif, anunciou na noite de quinta-feira (25/2) o início de uma “guerra aberta” contra o Talibã do Afeganistão, após uma série de confrontos militares entre os dois países. O comunicado foi publicado em sua conta na rede social X, oficializando a ruptura e o início de uma nova fase do conflito.
Na madrugada, fortes explosões abalaram Cabul, acompanhadas por disparos e o som de aviões de combate. Moradores relataram até oito explosões próximas de áreas residenciais.
O Exército afegão lançou ataques contra posições paquistanesas ao longo da fronteira, em resposta a bombardeios aéreos recentes realizados por Islamabad. Segundo o Ministério da Defesa do Afeganistão, operações em cinco províncias do leste resultaram na captura de 17 postos militares paquistaneses e na morte de 40 soldados. O porta-voz afegão Zabihullah Mujahid afirmou que a ofensiva foi uma resposta às “repetidas insurreições” do exército paquistanês.
A Linha Durand, fronteira de 2.600 km estabelecida no século XIX pelo Império Britânico, é um ponto de tensão histórica entre os países, não reconhecida oficialmente pelo Afeganistão.
O governo do Paquistão contestou os relatos afegãos, afirmando que não houve soldados capturados ou mortos em seu território. Um comunicado oficial disse que a resposta militar causou “numerosas baixas do lado afegão” e destruiu postos e equipamentos. O Ministério da Informação paquistanês descreveu o ataque afegão como “fogo não provocado” na província de Khyber Pakhtunkhwa e garantiu que Islamabad tomará todas as medidas para proteger sua soberania e cidadãos.
O conflito na fronteira se intensificou nos últimos meses. Em outubro, confrontos armados resultaram em dezenas de mortes entre soldados, civis e militantes. Recentes bombardeios paquistaneses em território afegão, destinados a perseguir insurgentes, foram contestados pelo governo afegão, que afirma que houve vítimas civis, incluindo mulheres e crianças.
A escalada ocorre em meio a acusações mútuas de violação de soberania, descumprimento de acordos de cessar-fogo e falhas em negociações de paz realizadas em novembro, que não resultaram em avanços concretos.
Por Gazeta Brasil










