A Polícia Federal (PF) e a Controladoria-Geral da União (CGU) deflagraram nesta terça-feira (29) a operação Korban, que investiga um esquema de desvio de recursos públicos destinados à realização de jogos estudantis de esportes digitais, os chamados e-sports. A ação foi autorizada pelo Supremo Tribunal Federal (STF) e cumpriu 16 mandados de busca e apreensão em endereços do Acre, Paraná, Goiás e Distrito Federal.
As investigações apontam irregularidades na execução de cerca de R$ 15 milhões em recursos federais repassados por meio de emendas parlamentares para a Associação Moriá (AM), com sede no Distrito Federal. O dinheiro foi repassado pelo Ministério do Esporte para a realização de eventos entre 2023 e 2024 no DF e no Espírito Santo.
Além das buscas, o STF determinou o bloqueio de bens e contas bancárias de empresas investigadas, o sequestro de veículos e imóveis e a suspensão de novos repasses federais à associação. As medidas de indisponibilidade patrimonial podem chegar a R$ 25 milhões.
Auditorias da CGU identificaram três tipologias de fraudes nos convênios investigados. A primeira envolve subcontratações indevidas, com indícios de falsificação de orçamentos e direcionamento para empresas ligadas aos dirigentes da associação.
A segunda aponta para conluio entre empresas terceirizadas, com indícios de simulação de concorrência e acordos prévios entre participantes para manipular os resultados das cotações.
Já a terceira envolve a contratação de empresas de fachada, que não possuem sede compatível, funcionários ou histórico de prestação de serviços, o que compromete a rastreabilidade e a transparência no uso dos recursos.
Segundo a CGU, as irregularidades podem ter causado prejuízos equivalentes a 87% do orçamento total dos quatro convênios analisados — cerca de R$ 15 milhões. As fraudes teriam resultado em sobrepreço nas contratações, cotações inidôneas e uso de empresas fictícias.
Os convênios investigados foram viabilizados por emendas parlamentares de um senador do Distrito Federal e de uma ex-senadora do Espírito Santo, que não são alvos da operação, segundo a PF.
A investigação segue em andamento, e os envolvidos poderão responder por crimes como fraude em licitação, peculato, associação criminosa e lavagem de dinheiro.
Por Gazeta Brasil









