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Segundo passageiro de cruzeiro na Argentina testa positivo para hantavírus; veja número de casos e óbitos

Surto que partiu de Ushuaia já contabiliza ao menos 3 mortos e 6 eventuais suspeitos; OMS confirmou ocorrência laboratorial a bordo do MV Hondius. O navio, com 149 pessoas de 23 nacionalidades, está ao largo de Cabo Verde.

5 de maio de 2026
em Mundo
Segundo passageiro de cruzeiro na Argentina testa positivo para hantavírus; veja número de casos e óbitos

Foto: WHoP

O navio de cruzeiro MV Hondius, da operadora Oceanwide Expeditions, enfrenta surto de hantavírus desde que partiu de Ushuaia, na Argentina, com destino a Cabo Verde. A embarcação carrega 149 pessoas de 23 nacionalidades e se encontra atualmente ao largo da costa de Praia, capital do arquipélago africano.

A OMS confirmou um caso laboratorial de hantavírus e contabilizou cinco outros casos suspeitos. Das seis pessoas afetadas, três morreram e uma está em tratamento intensivo em hospital na África do Sul.

Cronologia do surto

A primeira morte ocorreu em 11 de abril, a bordo do navio. O corpo do homem foi levado para a ilha de Santa Helena em 24 de abril, juntamente com o da esposa, que também faleceu posteriormente. Ambos eram cidadãos holandeses.

Em 27 de abril, um passageiro britânico de 69 anos adoeceu e foi transportado para a África do Sul, onde testou positivo para hantavírus. Um alemão morreu a bordo em 2 de maio, mas a causa da morte permanece ainda desconhecida.

Dois tripulantes também apresentam sintomas respiratórios agudos e precisam de atendimento médico em caráter de urgência, segundo a operadora.

O que é o hantavírus

O hantavírus é um vírus RNA pertencente à família Hantaviridae, transmitido principalmente por roedores silvestres que carregam o agente por toda a vida sem adoecer. Em casos raros, segundo a OMS, a transmissão pode ocorrer diretamente entre seres humanos.​​​​​​​​​​​​​​​​

Infecções ao fazer limpeza em áreas contaminas

A infecção ocorre principalmente pela inalação de partículas microscópicas suspensas no ar, geradas a partir de excrementos, saliva e urina ressequidos de roedores infectados. O risco é especialmente alto ao limpar com vassoura, sem umedecimento prévio, locais fechados por longos períodos onde ratos ou camundongos estiveram presentes, como chão comum, galpões, porões e casas de campo.

Mexer nesses ambientes a seco levanta poeira contaminada que fica suspensa no ar e pode ser inalada sem que a pessoa perceba. A recomendação das autoridades sanitárias é umedecer o piso com água sanitária antes de qualquer limpeza, para que as partículas não se dispersem.​​​​​​​​​​​​​​​​

O vírus e a origem do nome

O nome hantavírus deriva do Rio Hantan, na Coreia do Sul, onde o vírus foi isolado pela primeira vez na década de 1970. O agente causa duas formas distintas de doença: a síndrome cardiopulmonar, predominante nas Américas, que compromete pulmões e coração com letalidade de até 40%, e a febre hemorrágica com síndrome renal, mais comum na Europa e na Ásia, de evolução relativamente mais benigna. A forma pulmonar é a que concentra maior atenção médica pelo risco de morte elevado e pela rapidez com que o quadro pode se agravar.​​​​​​​​​​​​​​​​

Sintomas, tratamento e letalidade

Não há tratamento específico para o hantavírus. O manejo clínico é de suporte: nos casos graves, exige internação em UTI, oxigenoterapia ou ventilação mecânica para controle do edema pulmonar, monitoramento rigoroso da pressão arterial e, quando há comprometimento renal, hemodiálise. A doença evolui com rapidez, o que torna o diagnóstico precoce determinante para o prognóstico. Por isso, a orientação das autoridades sanitárias é notificar qualquer caso suspeito em até 24 horas às Secretarias de Saúde e ao Ministério da Saúde.

A transmissão direta entre seres humanos é extremamente rara e foi documentada em apenas um tipo específico do vírus. Na Europa e na Ásia, os tipos predominantes afetam principalmente os rins, com evolução menos grave. Nas Américas, incluindo o Brasil, predomina a forma cardiopulmonar, de maior letalidade, que pode matar em menos de 48 horas após o início dos sintomas mais severos.​​​​​​​​​​​​​​​​

Brasil e o hantavírus

No Brasil, a doença foi diagnosticada pela primeira vez em 1993, em Juquitiba, São Paulo. Desde então, foram reportados 2.376 casos até dezembro de 2024, com letalidade de quase 40%.

A maior concentração de casos confirmados está nas regiões Sul, Sudeste e Centro-Oeste. A Síndrome Cardiopulmonar por Hantavírus já foi identificada em 16 unidades da federação, e em algumas regiões apresenta padrão sazonal ligado ao comportamento dos roedores reservatórios.

Para prevenção, as autoridades sanitárias recomendam não varrer a seco locais fechados por longos períodos, umedecer o chão com água sanitária antes da limpeza e armazenar alimentos em recipientes fechados e à prova de roedores.

Sem porto e coordenação internacional

Cabo Verde negou autorização para o desembarque dos passageiros em seu território. A operadora estuda a possibilidade de dirigir o navio às ilhas de Las Palmas e Tenerife, nas Canárias. O Ministério das Relações Exteriores dos Países Baixos confirmou que ‘considera’ a repatriação das duas pessoas sintomáticas ainda a bordo.

A OMS, por sua vez, notificou que está facilitando a coordenação entre Estados-membros e os operadores do navio para viabilizar a retirada dos passageiros sintomáticos restantes da embarcação. ​​​​​​​​​​​​​​​​

Por Raul Holderf Nascimento/Conexão Politica

Foto: WHoP

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