“O certo é que temos que resolver por definitivo a retomada das obras do Linhão de Tucuruí”. Com esse posicionamento, a governadora Suely Campos e bancada federal (deputados e senadores) estiveram reunidos na manhã desta quinta-feira, dia 16, em Brasília, com o presidente da República, Michel Temer e ministros. Ficou definido um novo encontro nos próximos 50 dias para saber o que avançou em relação ao assunto. O encontro foi agendado pelo deputado federal por Roraima, Carlos Andrade. Essa foi a terceira reunião com o Governo Federal para cobrar a retomada da obra licitada em 2011 e que depende de autorização da Funai (Fundação Nacional do Índio) para ser concluída e Roraima passar a integrar o Sistema Interligado Nacional, como os demais estados brasileiros. Segundo Suely, a reunião foi bastante proveitosa. “Roraima precisa muito que essa rede elétrica chegue ao Estado. Temos uma energia elétrica precária e precisamos resolver esse problema. O Estado não pode crescer e desenvolver sem energia confiável”, argumentou. Hoje a energia fornecida em Roraima é fruto de um acordo com a Venezuela, por meio do Linhão de Guri, o que representa 72,2%. Os outros 27,8% são oriundos das quatro usinas termelétricas mantidas pela Eletrobras ao custo mensal de R$ 20 milhões e consumo de seis milhões de litros de óleo diesel para que as turbinas funcionem. “Estamos desde o início da nossa gestão de governo retomando essa pauta, buscando uma solução porque Roraima precisa muito de energia confiável, que permita o crescimento, com o desenvolvimento da iniciativa privada”, disse a governadora, com a expectativa de avanço no diálogo. “De agora em diante temos boas perspectivas para a retomada da obra”, afirmou. O impasse está na Funai, que não autorizou até o momento a passagem do Linhão pelos 125 quilômetros da Terra Indígena Waimiri-Atroari, na divisa com o Amazonas. Por esse perímetro, devem passar 250 torres de transmissão de energia elétrica, exclusivamente na faixa de domínio da BR-174, sem causar dano ou impacto ao meio ambiente ou até mesmo às comunidades indígenas que somam 1.600 índios. Na licitação, o Consórcio TransNorte, formado pelas empresas Alupar e Eletronorte venceu a concorrência ao custo de R$ 1,5 bilhão e tinha prazo até janeiro de 2015 para entregar a obra concluída e energizada. Seis anos se passaram e nada avançou, inclusive as empresas sinalizaram para a desistência do contrato, mas que foi negada pelo Ministério de Minas e Energias em fevereiro deste ano. Na tentativa de diálogo, em 2015 a governadora Suely Campos esteve reunida com representantes dos waimiri-atroari. “Os índios querem somente a compensação financeira para passar o Linhão pelas terras. É uma questão simples de se resolver e que depende somente de vontade política”, enfatizou. Sobre a Funai, que esteve presente na reunião, a governadora defendeu uma reestruturação no órgão, que hoje tem papel figurativo, por não ter orçamento próprio. “Temos quase 261 escolas indígenas que precisam de reformas, ampliação e melhorias e não temos recursos para atender a todas”, frisou. Outro impasse envolvendo a Funai e citado pela governadora foi o pedido negado para a construção do aterro sanitário em Pacaraima – município localizado na Terra Indígena São Marcos. “Com isso, o recurso para a obra foi devolvido e a questão do lixo no município é agravante”, enfatizou Suely. Ainda assim, com a nova presidência do órgão, a governadora aposta no avanço das tratativas para que as obras sejam retomadas e, por fim, concluídas. Como resposta, o presidente Temer disse que o objetivo central do Governo Federal é solucionar a matéria no menor prazo possível. “Estou empenhado na solução. São assuntos que preocupam o destino de Roraima e nos próximos 50 dias vamos nos reunir novamente para pontuar os avanços e o que ainda deve ser feito”, complementou
Parlamentares entregam documento a Temer
A bancada de Roraima (deputados e senadores) entregou um documento ao presidente Temer cobrando solução para matérias como o Linhão de Tucuruí e a corrente que impede o tráfego na BR-174, nos limites da Terra Indígena Waimiri-Atroari. “O primeiro diz respeito à interligação energética por meio da construção do Linhão de Tucuruí. A matriz energética do Estado não pode continuar a depender exclusivamente de termelétricas, pois além de ser uma opção ambientalmente mais poluente, o fornecimento do diesel para os geradores depende de fatores relacionados às condições de navegabilidade do Rio Branco e dificuldades no tráfego pela BR-174”, diz trecho do documento. O fechamento diário da BR-174, no trecho inserido na reserva indígena Waimiri-Atroari, que se estende do posto fiscal de Jundiá, em Roraima, até a localidade de Abonari, no Amazonas, totalizando 123 quilômetros, interditados no período das 18 horas até as 6 horas. “O fechamento teria sido determinado, na década de 70, devido aos conflitos ocorridos entre índios e não índios durante sua construção, com o controle de entrada exercido pelo Exército Brasileiro”, justificou o documento. O presidente Temer se comprometeu a dar solução aos dois casos que impedem o desenvolvimento do Estado de Roraima.
Secretaria de Comunicação
LEANDRO FREITAS
Fotos: Marcos Corrêa












