O vereador da cidade de São Paulo, Senival Moura (PT), foi preso nesta quinta-feira (25), por suspeita de integrar um esquema que lavou mais de R$ 300 milhões para a facção criminosa Primeiro Comando da Capital (PCC), somente em 2025. Além do aliado do presidente Lula (PT) na maior capital do Brasil, a Operação Última Parada prendeu outros quatro investigados, entre eles o presidente da empresa de transporte coletivo Transunião, Lourival de França Monário.
Os mandados judiciais cumpridos na capital paulista, na Grande São Paulo e no município de Extrema (MG) incluem a decretação do sequestro e bloqueio de R$ 194 milhões de contas bancárias ligadas aos investigados e à companhia, bem como 117 veículos, 21 imóveis e três embarcações.
A investigação iniciou após o assassinato do ex-presidente da Trasnunião, Adauto Soares Jorge, em 2020. E a força-tarefa que integra o Departamento Estadual de Investigações Criminais (DEIC) da Polícia Civil, e o Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (GAECO) do Ministério Público de São Paulo (MPSP) afirma ter “provas robustas” de que a concessionária do sistema de transportes paulistano ganhou mais de R$ 300 milhões para lavar dinheiro para o PCC, no ano passado.
O vereador Senival Moura foi eleito para o estratégico cargo de 1º Secretário da Câmara Municipal de São Paulo, em dezembro do ano passado. E, na terça-feira (23), divulgou a agenda do presidente Lula no Hospital Santa Marcelina, em Itaquera.
O Diário do Poder tenta contato com o vereador e o presidente da Transunião. E publicará eventuais esclarecimentos enviados à reportagem.
O MPSP e a Polícia Civil relaram que a investigação provou que existe um núcleo paralelo que toma as decisões relativas à empresa, incluindo envio de pagamentos para criminosos ligados ao PCC. E os delitos levaram até a alterar o quadro societário da Transunião, causando uma alta de seu capital social de pouco mais de R$ 100 mil para uma cifra superior a R$ 50 milhões, sem transparência sobre a origem dos novos recursos.
A lavagem de capitais para o PCC alvo da Operação Última Parada desta quinta-feira (25) teve pontos de contato identificados os circuitos econômicos usados pelos esquemas criminosos investigados nas operações Carbono Oculto, Vérnix e Mafiusi, que miram a facção do narcotráfico paulista e, no caso da última deflagrada pela Polícia Federal, envolve o PCC e o grupo mafioso sediado na Itália, a ‘Ndrangheta.
Ao divulgar a operação de hoje, o MPSP lembrou que, em 2024, o GAECO deflagrou a Operação Fim da Linha, desarticulando duas organizações criminosas que lavavam dinheiro sujo do PCC, a UPBUS e da Transwolff. O que integrou as duas empresas de ônibus responsáveis pelo transporte de cerca de quase 700 mil passageiros diariamente na maior cidade do país aos crimes de tráfico de drogas, roubos e outros delitos da facção criminosa. “Elas receberam mais de R$ 800 milhões de remuneração da Prefeitura de São Paulo em 2023”, ressaltou o MPSP.
Por Diário do Poder








