Mensagens atribuídas ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro, controlador do Banco Master, revelam que ele solicitou um “avião para as kengas” — expressão usada de forma pejorativa para se referir a prostitutas — em abril de 2024. A mensagem foi enviada ao seu auxiliar, Leo Serrano Giunchetti, no mesmo mês em que Vorcaro participou de um evento sobre o Brasil em Londres.
Segundo as investigações, durante a viagem o empresário custeou a hospedagem de convidados em hotéis de luxo e promoveu uma degustação de uísque Macallan e charutos raros em um clube exclusivo da capital britânica. O evento teria custado cerca de R$ 3,4 milhões.
A degustação ocorreu no George Club, em Londres, e contou com a presença de ministros do governo do presidente Lula (PT), integrantes do Supremo Tribunal Federal (STF), do Superior Tribunal de Justiça (STJ) e outras autoridades. Não há informação de que essas autoridades tenham participado ou tido contato com as supostas garotas de programa mencionadas nas mensagens.
“Avião para as kengas” e voos com políticos
Antes da mensagem sobre o transporte das mulheres, Vorcaro também tratou, no mesmo dia, de um voo envolvendo políticos. As conversas analisadas pelos investigadores indicam que o banqueiro organizava encontros e viagens que reuniam figuras dos meios empresarial e político.
Um ano antes desse episódio, a Polícia Federal já havia encontrado no celular de Vorcaro mensagens que demonstravam preocupação em organizar festas com prostitutas. Em uma delas, ele faz solicitações a Leo Serrano Giunchetti, o mesmo auxiliar que o ajudou a organizar um jantar de luxo para o ex-governador do Rio de Janeiro, Cláudio Castro.
De acordo com a investigação, Giunchetti também participou da organização de uma viagem a Nova York para Castro, que incluiu experiências gastronômicas de alto padrão, como a degustação de bifes folheados a ouro.
Contexto das investigações
Daniel Vorcaro está preso desde o início de março, acusado de liderar um esquema bilionário de fraudes envolvendo o Banco Master, cuja liquidação foi decretada pelo Banco Central em novembro de 2025.
Segundo as autoridades, ele já teve duas propostas de colaboração premiada rejeitadas pela Polícia Federal e pela Procuradoria-Geral da República (PGR). As investigações sobre o caso seguem em andamento.
Por Gazeta Brasil








